Esta é a lógica da vida moderna, pago, logo existo. Há menos de 400 anos René descartes disse “Cogito ergo sim” (Penso, logo existo). Hoje essa frase já não faz mais nenhum sentido. O significado da palavra existência mudou totalmente. Afinal de conta, o que é existir hoje? O que é necessário para uma pessoa existir?
Até mesmo o significado da palavra pensamento mudou. No que consiste pensar? Em receber informações de empresas de notícias e refletir um pouco sobre isso? Eu acredito que não. Muitas vezes tenho a impressão de que nem mesmo a pessoa que escreveu a notícia pensou. Afinal de contas, o objetivo não é noticiar, é simplesmente gerar lucro. Hoje, infelizmente, praticamente qualquer atividade existe apenas para gerar lucro.
O objetivo é mostrar-nos alto atraente, algo desejável. Um perfume, uma roupa, uma bebida, um veículo, qualquer coisa, desde que esteja sob uma marca forte, que vai nos fazer querer possuir aquilo, muitas vezes não por necessidade ou por suas funcionalidades, mas pelo simples fato de ter “i” no início do nome, apenas para dar status. Mas nós queremos muito, e vamos possuí-lo, afinal de contas todo mundo o tem!
“Ótimo”, já possuímos o que queríamos tanto, e agora? Agora vamos comprar acessórios, atualizações, complementos, vamos dar manutenção ao que tanto queríamos. Mas não por muito tempo, apenas até lançarem o novo modelo. Quando isto acontecer vamos dar um jeito de passar o antigo bem à diante, vender para alguém que não pôde comprá-lo quando era o último modelo, ou até mesmo abandoná-lo em alguma gaveta.
Pronto, agora temos o último modelo. Vamos exibi-lo para quem não o pode tê-lo. E o que não pode tê-lo vai cobiçá-lo, desejá-lo e invejá-lo. Em algumas vezes vai até tomá-lo à força pelo simples desejo de possuí-lo.
Hoje, este é o significado de existência, é ter, pagar. Só temos importância até o momento em que estamos dando lucro. Quando temos boa aparência, quando gastamos muito, entramos em lojas e somos bem atendidos. O garçom, ávido em receber uma gorda gorjeta, sorri-nos e promete-nos atender antes dos demais, menos importantes, menos existentes. E somos tratados assim, até nos tornarmos menos existentes que os outros. Hoje somos ovelhas, regularmente tosquiadas, somos bem tratados enquanto nosso pêlo é abundante e volumoso, porém, assim que e o pêlo ficar feio, ralo, todo o lucro que já demos não vai valer de nada, seremos sacrificados. Afinal de contas, na sociedade atual a lógica é, pago, logo existo.
domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
“É só o fim”
Na metade do século passado, depois da Europa ter sido devastada pelas duas grandes guerras, as “mentes pensantes” do mundo imaginaram um sistema novo para evitar tamanha destruição. Ao invés dos povos disputarem suas diferenças em confrontos longos e sangrentos, decidiu-se que iriam definir suas pendengas em disputas econômicas. Um país não se sobreporia a outro pela destruição, pela escravização, mas sim pela dominação econômica. Assim nasceu o sistema em que vivemos hoje.
Esta mesma filosofia de vida foi adotada por cada indivíduo. Hoje oprimo e subjugo outras pessoas pelo que tenho, por puro sadismo, pelo simples fato de poder mostrar que sou maior, que tenho mais. O “pobre coitado” que não tem, vive sonhando em ter mais que eu para poder oprimir-me também. Afinal de contas, com um super carro do ano chamo atenção, principalmente das fêmeas, assim posso ter mais fêmeas e procriar muito, disseminar meu gene pela face da terra, perpetuando minha linhagem. Pensando bem, em que isso me difere de um pavão que abre as penas do seu lindo rabo junto de outros para que a fêmea possa escolher o que mais lhe agrada, o que tem a maio calda, a mais bonita? Depois de milhares de anos de evolução, depois de construirmos cidades, civilizações, impérios, percebo que sou dominado por meus instintos, como o pavão ou qualquer outro animal.
Porém as “mentes pensantes” do mundo não previram que o sistema que elas inventaram para preservar a humanidade, mais cedo ou mais tarde vai destruí-la. Hoje eu quero ter mais, sempre muito mais, não importa o quanto eu tenha, sempre quero mais. Quero ir ao meu trabalho com um veículo só meu, vou sozinho. Se este carro for muito grande, tiver um potente motor, muito melhor. Eu até poderia ir de ônibus com outras pessoas que não podem, mas querem ir, como eu, sozinho dentro de seu próprio veículo. No entanto é desconfortável, o transporte público não funciona, é muito mais fácil eu comprar um automóvel exclusivamente meu do que exigir um transporte coletivo melhor. Não importa às “mentes pensantes” melhorarem o transporte coletivo, se eu tiver a possibilidade de ter um veículo meu não me importo com isto, e para elas é muito fácil proporcionar-me o que quero ao que preciso. Utilizam comigo a evolução de uma política muito antiga, a política de “pão e circo”. Enquanto eu tiver meu veículo para ir onde quiser, enquanto eu puder encher o tanque de gasolina, enquanto eu puder, durante o tempo em que não estiver trabalhando, ir à lugares onde encontro outros como eu, onde posso consumir altas doses de álcool e drogas, comer um quilo de carne (que precisa de dez quilos de vegetais para ser produzida), não vou reclamar, estarei feliz e certamente não os questionarei.
É dessa maneira que a humanidade vai se proliferando, como um vírus imbecil que, ao crescer, mata seu hospedeiro. Não o mata rapidamente, vai paralisando lentamente órgão a órgão, até que este morra, sem um grito final, apenas muita dor. Isso é fim, “é só o fim”.
Esta mesma filosofia de vida foi adotada por cada indivíduo. Hoje oprimo e subjugo outras pessoas pelo que tenho, por puro sadismo, pelo simples fato de poder mostrar que sou maior, que tenho mais. O “pobre coitado” que não tem, vive sonhando em ter mais que eu para poder oprimir-me também. Afinal de contas, com um super carro do ano chamo atenção, principalmente das fêmeas, assim posso ter mais fêmeas e procriar muito, disseminar meu gene pela face da terra, perpetuando minha linhagem. Pensando bem, em que isso me difere de um pavão que abre as penas do seu lindo rabo junto de outros para que a fêmea possa escolher o que mais lhe agrada, o que tem a maio calda, a mais bonita? Depois de milhares de anos de evolução, depois de construirmos cidades, civilizações, impérios, percebo que sou dominado por meus instintos, como o pavão ou qualquer outro animal.
Porém as “mentes pensantes” do mundo não previram que o sistema que elas inventaram para preservar a humanidade, mais cedo ou mais tarde vai destruí-la. Hoje eu quero ter mais, sempre muito mais, não importa o quanto eu tenha, sempre quero mais. Quero ir ao meu trabalho com um veículo só meu, vou sozinho. Se este carro for muito grande, tiver um potente motor, muito melhor. Eu até poderia ir de ônibus com outras pessoas que não podem, mas querem ir, como eu, sozinho dentro de seu próprio veículo. No entanto é desconfortável, o transporte público não funciona, é muito mais fácil eu comprar um automóvel exclusivamente meu do que exigir um transporte coletivo melhor. Não importa às “mentes pensantes” melhorarem o transporte coletivo, se eu tiver a possibilidade de ter um veículo meu não me importo com isto, e para elas é muito fácil proporcionar-me o que quero ao que preciso. Utilizam comigo a evolução de uma política muito antiga, a política de “pão e circo”. Enquanto eu tiver meu veículo para ir onde quiser, enquanto eu puder encher o tanque de gasolina, enquanto eu puder, durante o tempo em que não estiver trabalhando, ir à lugares onde encontro outros como eu, onde posso consumir altas doses de álcool e drogas, comer um quilo de carne (que precisa de dez quilos de vegetais para ser produzida), não vou reclamar, estarei feliz e certamente não os questionarei.
É dessa maneira que a humanidade vai se proliferando, como um vírus imbecil que, ao crescer, mata seu hospedeiro. Não o mata rapidamente, vai paralisando lentamente órgão a órgão, até que este morra, sem um grito final, apenas muita dor. Isso é fim, “é só o fim”.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Inversão de Valores
Não gosto muito de utilizar frases feitas, mas neste caso convém, “os valores da sociedade estão invertidos”. Agora para ser poético, quem busca conhecimento hoje? Chegamos a um nível assustador, as pessoas que sonham em serem médicos podem até dizer que o querem para “poder ajudar as pessoas”, mas quanto de verdade há nessa afirmação? Além de, muitas vezes, esta afirmativa ser falsa, o camarada ainda não tem nem criatividade para descrever sua própria “motivação”, coloca logo a mais usada, “ajudar as pessoas”.
Não acho que eu seja o melhor exemplo para um jovem, porém estudei e trabalho duro para poder levar a minha vida, hoje meu trabalho sustenta minha família, tenho um carro e um lugar pra morar, não é muito, mas isto me deixa muito feliz, pois de onde vim muitas pessoas não fazem curso superior e passam a vida sem uma profissão definida. Pois bem, muitas dessas pessoas a que me referi não me invejam nem um pouco (até aí tudo bem, não acho que deva ser invejado), no entanto invejam um policial corrupto que trabalha pouco e ganha muito, não através do mirrado salário de servidor público, mas pelas extorsões e propinas pagas por quadrilhas que roubam cargas, contrabandeiam eletrônicos e cigarros, além do tráfico de drogas e armas. Algumas pessoas invejam o fato de se poder roubar a vontade e não ter nem a ameaça da demissão, afinal de contas para um servidor público ser exonerado é muito difícil.
Por estes motivos digo que os valores estão invertidos, ao invés de escolher uma profissão pelo conhecimento que ela proporciona, pelo trabalho a realizar ou até mesmo pelo status que esta concede, passa-se a escolher um trabalho, única e exclusivamente, pelos ganhos que esta pode lhe proporcionar. Muito provavelmente, um estudante que resolve cursar medicina norteado por estes valores, tornar-se-á um médico que prescreve este ou aquele medicamento baseado apenas no valor da comissão que o laboratório repassa, o que menos importa é a saúde do paciente, até mesmo porque, se este se curar na retornará para mais consultas e para comprar mais medicamentos. Utilizei os médicos e policiais apenas como exemplo, a grande maioria dos profissionais dessas áreas é descente, mas infelizmente tem sua profissão manchada, como todas as outras, por pessoas sem escrúpulos.
Vejo os valores da sociedade hoje assim: “cada um por si, para justificar nossas mazelas, a culpa é do estado, eu não tenho nada a ver com isso”.
Não acho que eu seja o melhor exemplo para um jovem, porém estudei e trabalho duro para poder levar a minha vida, hoje meu trabalho sustenta minha família, tenho um carro e um lugar pra morar, não é muito, mas isto me deixa muito feliz, pois de onde vim muitas pessoas não fazem curso superior e passam a vida sem uma profissão definida. Pois bem, muitas dessas pessoas a que me referi não me invejam nem um pouco (até aí tudo bem, não acho que deva ser invejado), no entanto invejam um policial corrupto que trabalha pouco e ganha muito, não através do mirrado salário de servidor público, mas pelas extorsões e propinas pagas por quadrilhas que roubam cargas, contrabandeiam eletrônicos e cigarros, além do tráfico de drogas e armas. Algumas pessoas invejam o fato de se poder roubar a vontade e não ter nem a ameaça da demissão, afinal de contas para um servidor público ser exonerado é muito difícil.
Por estes motivos digo que os valores estão invertidos, ao invés de escolher uma profissão pelo conhecimento que ela proporciona, pelo trabalho a realizar ou até mesmo pelo status que esta concede, passa-se a escolher um trabalho, única e exclusivamente, pelos ganhos que esta pode lhe proporcionar. Muito provavelmente, um estudante que resolve cursar medicina norteado por estes valores, tornar-se-á um médico que prescreve este ou aquele medicamento baseado apenas no valor da comissão que o laboratório repassa, o que menos importa é a saúde do paciente, até mesmo porque, se este se curar na retornará para mais consultas e para comprar mais medicamentos. Utilizei os médicos e policiais apenas como exemplo, a grande maioria dos profissionais dessas áreas é descente, mas infelizmente tem sua profissão manchada, como todas as outras, por pessoas sem escrúpulos.
Vejo os valores da sociedade hoje assim: “cada um por si, para justificar nossas mazelas, a culpa é do estado, eu não tenho nada a ver com isso”.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A solução é mudar Foz do Iguaçu de lugar?
Acabo de ler uma reportagem, que cita uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, onde Foz do Iguaçu é apontada como a cidade “mais perigosa” para jovens entre 12 e 29 anos. Até aí nenhuma novidade. Na mesma reportagem consta a opinião de uma especialista em psicologia que relaciona os números da pesquisa à localização da cidade, na tríplice fronteira. Até aqui, para variar, nenhuma novidade. Será que o problema de Foz do Iguaçu realmente é sua localização? O que fazer? Mudar a cidade de lugar?
Se o problema da violência fosse simplesmente referente à posição geográfica da cidade, simplesmente bastaria o governo brasileiro baixar um decreto proibindo a construção de qualquer cidade numa distância de cinqüenta quilômetros de qualquer fronteira. No entanto não é a posição da cidade, na fronteira, o motivo da violência. Os motivos são vários e podem ser enumerados, falta de políticas públicas e de segurança (não acredite que mais policiais armados até os dentes resolveria); falta de políticas para a geração de renda e empregos (principalmente industrialização e entretenimento); pouco combate à corrupção da fiscalização que permite que armas, drogas, cigarros, eletrônicos contrabandeados trafeguem por mais de mil quilômetros dentro do país até chegar aos pontos de consumo. Esses são apenas alguns problemas. Certamente, se fossem tomadas medidas concretas, atacando o “caule” e não apenas os galhos, a realidade seria diferente.
Pesquisas são baseadas simplesmente em números levantados através de ocorrências registradas pela polícia, porém esses dados deveriam ser mais esmiuçados. Qual percentual dos jovens mortos em Foz do Iguaçu é realmente de Foz do Iguaçu? Dos presidiários que lá estão quantos são de Foz? Quantos foram presos levando drogas e armas para outras cidades? A violência constatada em Foz do Iguaçu não pode ser imputada apenas á região. Em Foz está a violência de todo o Brasil.
Puerto Iguazú, na Argentina, faz fronteira com outros dois países, assim como Foz do Iguaçu. A cidade é muito menor que a irmã brasileira, porém se realizarmos uma análise percentual nos dados de violência desta, notaremos que estes serão muito menores que os daquela. Assim se vai por chão a tese de que a violência de Foz do Iguaçu dá-se por esta estar na fronteira.
Ou os governos, municipal, estadual e federal tomam medidas que realmente surtam efeito contra a violência, ou continuam usando a desculpa de que os problemas são causados pela fronteira. Logo proporão a mudança da cidade de lugar.
Se o problema da violência fosse simplesmente referente à posição geográfica da cidade, simplesmente bastaria o governo brasileiro baixar um decreto proibindo a construção de qualquer cidade numa distância de cinqüenta quilômetros de qualquer fronteira. No entanto não é a posição da cidade, na fronteira, o motivo da violência. Os motivos são vários e podem ser enumerados, falta de políticas públicas e de segurança (não acredite que mais policiais armados até os dentes resolveria); falta de políticas para a geração de renda e empregos (principalmente industrialização e entretenimento); pouco combate à corrupção da fiscalização que permite que armas, drogas, cigarros, eletrônicos contrabandeados trafeguem por mais de mil quilômetros dentro do país até chegar aos pontos de consumo. Esses são apenas alguns problemas. Certamente, se fossem tomadas medidas concretas, atacando o “caule” e não apenas os galhos, a realidade seria diferente.
Pesquisas são baseadas simplesmente em números levantados através de ocorrências registradas pela polícia, porém esses dados deveriam ser mais esmiuçados. Qual percentual dos jovens mortos em Foz do Iguaçu é realmente de Foz do Iguaçu? Dos presidiários que lá estão quantos são de Foz? Quantos foram presos levando drogas e armas para outras cidades? A violência constatada em Foz do Iguaçu não pode ser imputada apenas á região. Em Foz está a violência de todo o Brasil.
Puerto Iguazú, na Argentina, faz fronteira com outros dois países, assim como Foz do Iguaçu. A cidade é muito menor que a irmã brasileira, porém se realizarmos uma análise percentual nos dados de violência desta, notaremos que estes serão muito menores que os daquela. Assim se vai por chão a tese de que a violência de Foz do Iguaçu dá-se por esta estar na fronteira.
Ou os governos, municipal, estadual e federal tomam medidas que realmente surtam efeito contra a violência, ou continuam usando a desculpa de que os problemas são causados pela fronteira. Logo proporão a mudança da cidade de lugar.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Semelhanças
Nossa vida é engraçada, sempre que estou longe de casa, sinto saudades e falta das coisas de lá. Mas parece que quando estou lá essas coisas passam despercebidas. No meu período na África criei o hábito de ler, diariamente, sites de jornais, blogs e variedade com informações sobre o Paraná e Foz do Iguaçu. O mais interessante de tudo isso é que muitas vezes lia fatos sobre Foz que nem as pessoas de lá sabiam. Depois eu escrevia, da Africa, contando para as pessoas de Foz as coisas que lá aconteciam. Nessa pesquisa por sites com o mesmo tema encontrei muitas fontes interessantíssimas, que nem sabia que existia. Porém, o mais curioso é que, antes de sair de Foz e depois de voltar da África, lia essas fontes com bem menos frequência. Não é nenhuma surpresa que, depois de vir para o Recife voltei a ler com frequência diária os sites com informações sobre Foz do Iguaçu, inclusive encontrei mais sites interessantes, com informações sobre Foz, Ciudad del leste e Puerto Iguazú. No final, sair de Foz me fez conhecê-la muito mais do que o período em que lá estive.
Essa distância de casa leva-nos (leva-me) a um retorno as origens. Nesse período fora, além do interesse sobre as coisas de casa, criei um interesse sobre as coisas das origens de nossas origens. Pesquisei sobre Besançon, localidade de que nossa família "leva o nome", sobre a Itália. Descobri coisas sobre nossa família que nem nossos avós e bisavós sabiam, o fato de termos origens na França, e não na Itália. Essas pesquisas me levaram a entender melhor os fatores que trouxeram nossos antepassados da Europa, que os levaram ao Paraná, especificamente Maria Helena, e os fatores que me trouxeram para longe de casa. O interessante é que, na origem, os motivos que levaram nossa família da França para a Itália, que os levaram de São Paulo para o Paraná, que nos levaram de Maria Helena para Maringá, que me levaram para África e agora para o Recife e que vão te levar a França são exatamente os mesmo, a busca de algo diferente, qualidade, conhecimento, mas acredito que o maior deles é a curiosidade. Essa é a maior semelhança entre nós, nossos avós e os caras que saíram de Besançon no século XVII, a curiosidade.
Essa distância de casa leva-nos (leva-me) a um retorno as origens. Nesse período fora, além do interesse sobre as coisas de casa, criei um interesse sobre as coisas das origens de nossas origens. Pesquisei sobre Besançon, localidade de que nossa família "leva o nome", sobre a Itália. Descobri coisas sobre nossa família que nem nossos avós e bisavós sabiam, o fato de termos origens na França, e não na Itália. Essas pesquisas me levaram a entender melhor os fatores que trouxeram nossos antepassados da Europa, que os levaram ao Paraná, especificamente Maria Helena, e os fatores que me trouxeram para longe de casa. O interessante é que, na origem, os motivos que levaram nossa família da França para a Itália, que os levaram de São Paulo para o Paraná, que nos levaram de Maria Helena para Maringá, que me levaram para África e agora para o Recife e que vão te levar a França são exatamente os mesmo, a busca de algo diferente, qualidade, conhecimento, mas acredito que o maior deles é a curiosidade. Essa é a maior semelhança entre nós, nossos avós e os caras que saíram de Besançon no século XVII, a curiosidade.
DEUS
Há alguns dias li um texto, algo como "Ciência x Deus". Falava sobre uma pesquisa de como o conhecimento modifica a nossa visão de Deus, e estudava estatisticamente quais as áreas do conhecimento mais nos "afastam" Dele. Temos um senso geral de que químicos, físicos, matemáticos, estudantes da área de exatas, tornam-se ateus, mas a pesquisa revelou algo inesperado. A maioria das pessoas que, antes de cursar uma universidade, são religiosas, e depois passam a não acreditar em Deus, são em sua maioria da áreas das ciências humanas. Outro dado interessante que a a pesquisa revela é que muitas pessoas que optam por esta área, o fazem por ter conceitos religiosos mais fortes. Ou seja, a pessoa estuda uma área por ter conceitos religiosos e o conhecimento o leva ao ateísmo. Esta pesquisa foi realizada nos Estados Unidos e, com certeza, o ensino de humanas lá é muito menos socialista e marxista do que cá.
Com conhecimentos tão curtos sobre a natureza e a vida, não podemos explicar tudo e menosprezar a existência de Deus. Acredito até que daqui alguns tempos poderemos prever o clima com exatidão para 50 anos, desenvolveremos novas drogas, novos tratamentos para o câncer, novas técnicas para esticar a pele (sem ficar parecendo com uma boneca Barbie). Porém, há uma coisa que nunca conseguiremos prever, o pensamento e a reação dos humanos. Conseguiremos até prever situações, mas nunca todos os fatos que elas desencadearam. Acredito que aí está Deus. Quando ele nos deu o "livre arbítrio" criou uma barreira intransponível para nos o alcançarmos. Pessoas tem reações inesperadas e imprevisíveis, muitas vezes quando pensa que elas vão ficar felizes, ficam tristes, e roubando um pouco da filosofia dos irmãos Wachowski, as pessoas não foram feitas para serem felizes todo o tempo.
Não acredito que Deus seja um "ser supremo" que manda e desmandas nos pobres mortais, alterando suas vidas quando bem entende. Acho que seria até muito chato para ele. Deus apenas criou sistemas de controles, lógicos, mas que não somos capazes de decifrar, felizmente. Chamamos esse sistema de natureza.
Com conhecimentos tão curtos sobre a natureza e a vida, não podemos explicar tudo e menosprezar a existência de Deus. Acredito até que daqui alguns tempos poderemos prever o clima com exatidão para 50 anos, desenvolveremos novas drogas, novos tratamentos para o câncer, novas técnicas para esticar a pele (sem ficar parecendo com uma boneca Barbie). Porém, há uma coisa que nunca conseguiremos prever, o pensamento e a reação dos humanos. Conseguiremos até prever situações, mas nunca todos os fatos que elas desencadearam. Acredito que aí está Deus. Quando ele nos deu o "livre arbítrio" criou uma barreira intransponível para nos o alcançarmos. Pessoas tem reações inesperadas e imprevisíveis, muitas vezes quando pensa que elas vão ficar felizes, ficam tristes, e roubando um pouco da filosofia dos irmãos Wachowski, as pessoas não foram feitas para serem felizes todo o tempo.
Não acredito que Deus seja um "ser supremo" que manda e desmandas nos pobres mortais, alterando suas vidas quando bem entende. Acho que seria até muito chato para ele. Deus apenas criou sistemas de controles, lógicos, mas que não somos capazes de decifrar, felizmente. Chamamos esse sistema de natureza.
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