Na metade do século passado, depois da Europa ter sido devastada pelas duas grandes guerras, as “mentes pensantes” do mundo imaginaram um sistema novo para evitar tamanha destruição. Ao invés dos povos disputarem suas diferenças em confrontos longos e sangrentos, decidiu-se que iriam definir suas pendengas em disputas econômicas. Um país não se sobreporia a outro pela destruição, pela escravização, mas sim pela dominação econômica. Assim nasceu o sistema em que vivemos hoje.
Esta mesma filosofia de vida foi adotada por cada indivíduo. Hoje oprimo e subjugo outras pessoas pelo que tenho, por puro sadismo, pelo simples fato de poder mostrar que sou maior, que tenho mais. O “pobre coitado” que não tem, vive sonhando em ter mais que eu para poder oprimir-me também. Afinal de contas, com um super carro do ano chamo atenção, principalmente das fêmeas, assim posso ter mais fêmeas e procriar muito, disseminar meu gene pela face da terra, perpetuando minha linhagem. Pensando bem, em que isso me difere de um pavão que abre as penas do seu lindo rabo junto de outros para que a fêmea possa escolher o que mais lhe agrada, o que tem a maio calda, a mais bonita? Depois de milhares de anos de evolução, depois de construirmos cidades, civilizações, impérios, percebo que sou dominado por meus instintos, como o pavão ou qualquer outro animal.
Porém as “mentes pensantes” do mundo não previram que o sistema que elas inventaram para preservar a humanidade, mais cedo ou mais tarde vai destruí-la. Hoje eu quero ter mais, sempre muito mais, não importa o quanto eu tenha, sempre quero mais. Quero ir ao meu trabalho com um veículo só meu, vou sozinho. Se este carro for muito grande, tiver um potente motor, muito melhor. Eu até poderia ir de ônibus com outras pessoas que não podem, mas querem ir, como eu, sozinho dentro de seu próprio veículo. No entanto é desconfortável, o transporte público não funciona, é muito mais fácil eu comprar um automóvel exclusivamente meu do que exigir um transporte coletivo melhor. Não importa às “mentes pensantes” melhorarem o transporte coletivo, se eu tiver a possibilidade de ter um veículo meu não me importo com isto, e para elas é muito fácil proporcionar-me o que quero ao que preciso. Utilizam comigo a evolução de uma política muito antiga, a política de “pão e circo”. Enquanto eu tiver meu veículo para ir onde quiser, enquanto eu puder encher o tanque de gasolina, enquanto eu puder, durante o tempo em que não estiver trabalhando, ir à lugares onde encontro outros como eu, onde posso consumir altas doses de álcool e drogas, comer um quilo de carne (que precisa de dez quilos de vegetais para ser produzida), não vou reclamar, estarei feliz e certamente não os questionarei.
É dessa maneira que a humanidade vai se proliferando, como um vírus imbecil que, ao crescer, mata seu hospedeiro. Não o mata rapidamente, vai paralisando lentamente órgão a órgão, até que este morra, sem um grito final, apenas muita dor. Isso é fim, “é só o fim”.
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Um comentário:
Ufa!!
Fiquei tensa ao ler o texto! Será que me identifiquei????
No final, achei que me aliviaria, mas fiquei mais tensa ainda!! Haha
Bjão!!
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